Quais os estragos que um superterremoto causaria no Brasil?

Ilustração: Daniel Rosini

O Brasil sofre cerca de 100 sismos todo ano. Entretanto, os terremotos são muito fracos porque estamos distantes das bordas das placas tectônicas, cuja fricção é a maior causa de terremotos. Mas eles também podem ocorrer após erupções vulcânicas, como a do Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, no oceano Atlântico. Há anos esse vulcão vem sendo monitorado porque, caso entre em atividade, pode derrubar parte da ilha no mar, gerando um tsunami que destruiria a América Central e o estado da Flórida, nos EUA, e ainda chegaria ao litoral brasileiro. Rio de Janeiro, Vitória, Belém e as capitais litorâneas do Nordeste seriam as cidades mais afetadas.



Em países habituados a tremores, como Japão e Chile, os edifícios levam em conta esse risco. No Brasil, não. Nossa situação seria parecida com a do Haiti, arrasado por um abalo de 7 graus em 2010. Para piorar, o solo do Rio é pouco compacto, portanto ainda menos resistente a esse tipo de desastre.

Um tsunami provoca estragos duas vezes: quando a onda atinge a cidade e, depois, quando volta para o mar, arrastando tudo que encontra pela frente. Pouca coisa sobraria em pé. Mais provavelmente, algumas construções de grande porte, como o Cristo Redentor, a Ponte Rio-Niteroi e o novo Maracanã.

O Brasil não monitora tsunamis, então seríamos pegos de surpresa - as ondas demorariam só seis horas para chegar à costa. No caso da capital fluminense, o atendimento após a tragédia seria coordenado pelo Centro de Operações Rio. São 12 mil membros, entre bombeiros, policiais e outros profissionais, para atender 6,3 milhões de habitantes.

Uma boa notícia: um tsunami não afetaria as usinas nucleares de Angra dos Reis, perto do Rio, tanto quanto afetou a de Fukushima, no Japão, em 2011. Nossas instalações estão protegidas por um muro de 5 m de altura e têm um plano de evacuação bem detalhado, com evacuações progressivas num raio de até 15 km.

Fontes: [Livro Earthquakes, de Bruce A. Bolt, Eletronuclear, Defesa Civil do Rio de Janeiro, Centro de Operações Rio e sites Incorporated Research Institutes for Seismology e US Geological Service e Mundo Estranho]
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