O desafio a Einstein: viajar entre as estrelas


As maiores aventuras espaciais da ficção científica envolvem viajar a outros sistemas planetários. E por uma razão muito simples: enquanto por aqui a esperança de encontrar vida extraterrestre se limita a algumas bactérias tímidas, lá fora as possibilidades são ilimitadas.

Pergunta que não quer calar: dá para fazer voo interestelar? Sabemos, por exemplo, que as sondas Voyager 1 e 2 estão numa jornada além do sistema solar. Mas o ritmo é modorrento. A estrela mais próxima do Sol, Alfa Centauri, está a 4,3 anos-luz de distância. A Voyager 1, objeto mais distante já lançado pelo homem, após um quarto de século de viagem, está a modestos 0,0013 ano-luz daqui. Em suma: com a tecnologia atual, mandar uma sonda para a estrela mais próxima consumiria, pelo menos, alguns milhares de anos.

Como se não bastasse isso, há outro complicador. A Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, demonstrou que existe um limite de velocidade máxima no Universo: nada pode ultrapassar a velocidade da luz, que é de cerca de 300 mil quilômetros por segundo. Aí a porca torce o rabo.

Ainda assim, cientistas e engenheiros são criaturas teimosas. Eles imaginaram uma série de maneiras de realizar o impossível e tornar viagens interestelares viáveis para seres humanos. Confira a seguir algumas das ideias que eles tiveram.

Dobra espacial

É o método preferido do Capitão Kirk, na série Jornada nas Estrelas (Star Trek): dobra espacial. A ideia é atraente porque nos libera do terrível limite de velocidade máxima do Universo. A parada é a seguinte: a Teoria da Relatividade diz que a velocidade da luz não pode ser ultrapassada, mas também diz que espaço e tempo são relativos. Com a combinação certa de matéria e energia, é possível encurtar ou expandir distâncias. No conceito de dobra espacial, o truque é fazer as distâncias entre as estrelas encurtar momentaneamente. Por incrível que pareça, o físico mexicano Miguel Alcubierre fez uns cálculos e mostrou que seria possível criar algo do tipo sem arrebentar a espaçonave ou violar qualquer princípio físico. O único problema é que o tamanho da energia e da matéria exigidas para fazer tal manipulação é gigantesco - talvez maior até do que tudo que existe no Universo.

Buraco-de-verme

Trata-se de outra maluquice derivada da teoria de Einstein. Como o espaço e o tempo podem ser distorcidos, é possível criar atalhos entre dois pontos distantes do Cosmos - algo que poderia ser visto como uma fenda espacial. Bacana. Ainda mais porque alguns teóricos sugerem que alguns desses atalhos podem ter sido criados naturalmente durante o big-bang. Na falta de uma tecnologia para criarmos um buraco-de-verme na marra, bastaria que encontrássemos um deixado pela criação do Universo e fizéssemos obras de ampliação para aumentar a passagem e mantê-la aberta. Probleminha: para manter um buraco-de-verme aberto, é preciso ter em mãos algo que os físicos chamam de matéria exótica. Seria uma forma de matéria com densidade de energia negativa. Ninguém nunca viu nada assim, mas não é o caso de perder as esperanças: alguns fenômenos quânticos mostram que, ao menos pontualmente, o espaço pode atingir níveis de energia negativa. Já é um começo.

Naves-mundo

Se tudo mais falhar, podemos tentar a abordagem mais simples e ao mesmo tempo mais complexa: a criação de uma espaçonave tão grande, tão cheia de recursos, que poderia levar milhares de anos para chegar a outro sistema planetário, mas ao menos os humanos que habitassem essa nave-mundo viveriam tão bem quanto os que vivem na Terra. Se formos parar para pensar, não é tão absurdo. A Terra mesma pode ser vista como uma imensa espaçonave. Bastaria desenvolvermos sistemas capazes de criar autossuficiência de ar e alimento, com espaço suficiente para preservar o bem-estar dos ocupantes, e teríamos uma nave-mundo que seria ocupada por gerações sucessivas de humanos, até que chegasse a seu destino.

Propulsão a luz

Este é um dos esquemas mais simples. O conceito seria o mesmo do proposto para os veleiros solares - naves que usam a energia das partículas de luz emitidas pelo Sol para acelerar, da mesma forma que os antigos navios a vela usavam o vento para seguir adiante. Peraí, mas a ideia não é se afastar do Sol? Como é que fica? Para resolver isso, a solução seria construir um poderoso laser, numa região próxima à órbita de Mercúrio. Entre Saturno e Urano, instalamos uma gigantesca lente focal. As duas peças, o canhão de laser e a lente, seriam então apontadas para a nossa nave interestelar, que seria acelerada para longe. O laser poderia acelerar uma nave à metade da velocidade da luz em coisa de um ano e meio. Seria possível, por exemplo, fazer uma viagem de ida e volta à estrela Epsilon Eridani, a 10,5 anos-luz daqui, em 51 anos.

Fontes: [Super]
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